O novo trabalhador quer mais que estabilidade
Trabalhadores têm buscado autonomia, saúde mental e propósito, mesmo diante de riscos e incertezas
Por Maria Rita Coutinho
Os pedidos de demissão não são um salto no escuro. Em 2024, o Brasil registrou mais de 8,5 milhões de demissões voluntárias, enquanto o número de Microempreendedores Individuais (MEIs) cresceu mais de 10%. Redes sociais, cursos online, marketplaces e apps de serviço tornaram o empreendedorismo mais acessível.
O mercado de plataformas de curso on-line, por exemplo, é um setor expansivo que registrou um crescimento exponencial nos últimos anos, impulsionado pela crescente demanda por educação flexível e acessível. O mercado evoluiu para atender a diversos públicos, variando de estudantes tradicionais a profissionais que procuram upskill ou mudanças de carreiras. De acordo com o Bureau of Labor Statistics dos EUA, o mercado de e-learing deve atingir US $ 325 bilhões até o final de 2025.
Contudo, ainda que haja alternativas além do “trabalho em carteira”, a decisão de sair do emprego formal, no entanto, é solitária. O movimento não nasce de sindicatos ou mobilizações coletivas, mas de decisões individuais diante de jornadas rígidas, ausência de valorização e uma cultura organizacional muitas vezes tóxica.
Onde ficam as empresas
Enquanto algumas corporações tentam reter talentos com políticas de trabalho híbrido, benefícios de saúde mental e programas de escuta ativa, outras insistem em modelos inflexíveis. Isso tem gerado o que economistas chamam de “apagão de mão de obra”, especialmente em setores como construção civil, varejo e alimentação, onde a presença física é inevitável e a jornada costuma ser rígida.
Em entrevista para a revista Pequenas Empresas & Grandes Negócios, o CMO da Gupy, Guilherme Dias, falou que o trabalho híbrido tem ganhado relevância e deve se fortalecer em 2025. Para ele, o formato híbrido tem equilibrado a flexibilidade desejada pelos colaboradores com a necessidade de interação presencial para promover cultura organizacional e inovação. Em abril de 2024, o número de vagas e contratações híbridas atingiu seu pico.
Por outro lado, uma pesquisa da Grua Insights revelou que 90% dos empresários da construção civil enfrentam dificuldades para contratar profissionais, especialmente pedreiros, mencionados por 27% dos entrevistados.
Um novo trabalhador
Esse movimento aponta para o surgimento de um “novo trabalhador”. Para essa geração, sucesso é poder recusar abusos, ter tempo para a família, preservar a saúde mental e sentir-se dono do próprio destino.
Mas os desafios persistem. A migração para o trabalho por conta própria implica instabilidade, falta de benefícios e uma alta carga tributária, especialmente para quem ainda não atingiu escala ou previsibilidade de renda. É um salto com rede, mas a rede ainda é frágil.



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